Cisma

Carol Mansinho
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Sua perturbação vinha de uma semana cheia de contratempos. Parecia que o mundo queria lhe provocar! Estava se sentindo de uma forma que tudo soava como se estivesse sendo ridícula. É certo que as pessoas olhavam para ela da mesma forma de sempre, mas é óbvio que agora fingiam, pois era só ela dar as costas e pronto: estavam lá, todos eles, rindo dos erros dela, dos medos dela, dos botões da camisa dela, de tudo!

Já estava de saco cheio; resolveu então comprar um copo de café e foi passear no museu. Pensou que lá ela estaria em paz, pois o centro das atenções seriam as obras e não ela. Ficou alegre ao ver que ninguém notou sua presença. UFA! Poderia caminhar despreocupada.

Pena que sua alegria durou pouco; assim que começou a olhar as obras do museu, notou que elas a observavam. Não, não, não... até elas! Percebeu isso quando viu aquela múmia petulante fechando os olhos e se encolhendo toda por conta do incômodo que sentia diante da presença indesejada. E aquela estátua? Com a mão na cintura e a outra erguida como se pedisse para os deuses: Alguém no Olimpo?! Deêm alguma luz para essa moça porque ela tá apagada.

Aquilo já era demais! Irritada, foi para outra sala do museu onde havia um enorme aglomerado de pessoas. Entre elas, viu uma mulher que a encarava de forma fixa. Já tinha desistido da procurada paz e aceitou ser observada, quando notou que, além de a encarar, aquela mulherzinha lançava contra ela uma risadinha infame.

A risadinha não!!!! Ela podia aceitar qualquer coisa, menos aquela risadinha cínica! Não pensou duas vezes: Lançou contra a mulher seu copo de café para que ela soubesse que não se ri dessa forma para ninguém.
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foto: Mona Lisa de da Vinci, fonte Google.

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